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Renda Fixa

Renda fixa bate renda variável pelo terceiro ano consecutivo no Brasil

Por Rodrigo Fonseca · 30 jul 2026 · 5 min de leitura

Pelo terceiro ano consecutivo, a renda fixa supera a renda variável no Brasil em retorno ajustado ao risco. Com a Selic em 10,75% ao ano e sem perspectiva de corte no horizonte imediato, o CDI acumula rentabilidade de 8,2% no primeiro semestre de 2026 — contra 6,1% do Ibovespa no mesmo período.

O dado é relevante porque inverte uma narrativa que dominou o mercado entre 2020 e 2022, quando a Selic estava na mínima histórica de 2% ao ano e os gestores pregavam a "migração para o risco". Agora, o investidor pessoa física está de volta ao Tesouro Direto.

O retorno do investidor de varejo

Os dados da B3 mostram que o número de investidores ativos no Tesouro Direto bateu recorde em junho, com 2,3 milhões de operações no mês. O Tesouro Selic e o Tesouro IPCA+ foram os papéis mais comprados. A tendência reflete a racionalidade do investidor: por que assumir risco de bolsa se o CDI já entrega mais de 10% ao ano?

Para os gestores de renda variável, o desafio é comunicar o prêmio de risco da bolsa de forma convincente. Com o Ibovespa negociando a cerca de 9 vezes o lucro projetado, o valuation está barato em termos históricos — mas o custo de oportunidade da renda fixa é alto demais para ser ignorado.

O que pode mudar

O cenário só muda se a Selic começar a cair. Qualquer sinalização do BC nesse sentido tende a provocar uma rotação de portfólios da renda fixa para a bolsa. Por ora, o mercado não vê esse movimento antes do segundo semestre de 2027.

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Rodrigo Fonseca
Analista-chefe
Economista formado pela USP com especialização em finanças pela FGV. Cobre mercados financeiros há 11 anos.